O que deveria ser um espaço de respeito e memória virou símbolo do descaso público em Lucena. Vídeos que circulam nas redes sociais escancaram a situação do cemitério municipal: mato alto tomando conta das sepulturas, ausência de limpeza, falta de estrutura básica e um cenário que choca até quem já se acostumou com a precariedade em outros serviços da cidade.
Não se trata de detalhe administrativo. O estado do cemitério revela algo mais profundo: a perda de controle sobre o mínimo. Quando nem o cuidado com os mortos é garantido, a mensagem que fica é dura — o abandono virou regra.
Moradores relatam dificuldade até para visitar entes queridos. Acesso comprometido, insegurança e sensação de total desrespeito. Em alguns registros, túmulos praticamente desaparecem no meio da vegetação. Não há sinal visível de manutenção regular.
Esse quadro se soma a uma série de críticas à gestão do prefeito Léo Bandeira, já marcado pelo episódio das vacinas vencidas. O problema agora ganha uma dimensão ainda mais simbólica: não é só a saúde ou a educação sob pressão — é a própria dignidade sendo negligenciada.
A responsabilidade pela manutenção de cemitérios públicos é direta do poder municipal. Não há margem para improviso. É obrigação básica de qualquer gestão garantir limpeza, organização e condições mínimas para visitação.
Nos bastidores, cresce a percepção de que decisões importantes estariam sendo influenciadas pela primeira-dama, que, segundo relatos recorrentes, exerce forte protagonismo na condução da gestão. Ao mesmo tempo, há críticas sobre uma suposta distância da realidade social do município.
O silêncio da administração diante das imagens que circulam nas redes sociais só amplia o desgaste. Até o momento, não há explicação clara, cronograma de ação ou qualquer sinal público de resposta à situação.
Nos bastidores, o comentário é recorrente: a gestão parece funcionar apenas em datas específicas, enquanto o resto da cidade segue à própria sorte. O cemitério, nesse contexto, virou um retrato cru dessa ausência.
Lucena chega a um ponto delicado. Porque quando o abandono alcança até os espaços de memória, não é só a gestão que está em xeque — é o respeito básico com a população.










