Home / Política / “Instituto de Fundo de Quintal e Pesquisa de Encomenda: a indústria do ‘me engana que eu gosto’ volta a assombrar as eleições na Paraíba”

“Instituto de Fundo de Quintal e Pesquisa de Encomenda: a indústria do ‘me engana que eu gosto’ volta a assombrar as eleições na Paraíba”

Em época pré-eleitoral, um fenômeno curioso volta a se repetir na Paraíba: surgem institutos de pesquisa que ninguém nunca ouviu falar, mas que de repente aparecem com números “milagrosos” nas mãos de blogueiros, cabos eleitorais digitais e verdadeiros aprendizes de feiticeiro da política.

De uma hora para outra, um candidato que mal aparece nas ruas surge liderando com folga nas pesquisas. Outro, que arrasta multidões, aparece no fundo do poço. É a matemática criativa da política: a conta fecha sempre para quem paga a encomenda.

No mercado paralelo da propaganda eleitoral, não faltam “institutos de faz de conta”, criados em verdadeiros fundos de quintal digitais. Com uma planilha, um logotipo improvisado e meia dúzia de gráficos coloridos, nasce mais uma “pesquisa” pronta para circular nas redes sociais e alimentar a narrativa do momento.

O eleitor, porém, já começa a olhar com desconfiança. No fim das contas, quem muitas vezes diz a verdade é o velho freguês das ruas, aquele que conversa na feira, no ônibus e na fila do banco. A preferência popular raramente coincide com certos números mágicos que aparecem em alguns levantamentos.

A legislação eleitoral brasileira, inclusive, exige que toda pesquisa seja registrada com antecedência mínima na Justiça Eleitoral, com informações como quem pagou o levantamento, metodologia, amostra e margem de erro. Sem isso, a divulgação pode ser considerada irregular.

Esses dados precisam ser cadastrados no sistema oficial de registro de pesquisas eleitorais, mantido pela Justiça Eleitoral, justamente para dar transparência ao processo e permitir que qualquer cidadão consulte as informações.

Apesar disso, denúncias sobre manipulação ou divulgação de pesquisas suspeitas não são novidade. Na própria Paraíba, parlamentares já chegaram a defender investigações e até a criação de CPI para apurar possíveis números manipulados que poderiam enganar o eleitorado.

E o alerta não é exagero. Em períodos eleitorais, a divulgação de dados falsos pode virar arma política para tentar criar uma “onda artificial”, aquela famosa tentativa de convencer o eleitor de que determinado candidato já ganhou antes mesmo da votação.

Mas a história política brasileira já mostrou inúmeras vezes que eleição não se decide em gráfico colorido nem em postagem patrocinada.

Quem decide é o povo.

E o povo, esse sim, costuma desmontar muita “pesquisa de fantasia” na hora em que as urnas são abertas.

Enquanto isso, o recado da Justiça Eleitoral segue claro: quem quiser brincar de instituto de pesquisa precisa cumprir a lei. Caso contrário, pode acabar trocando o “ranking eleitoral” pelo banco dos réus.

Porque, no fim das contas, democracia não combina com picaretagem estatística.