A investigação que coloca o senador paraibano Veneziano Vital do Rêgo no centro de um inquérito sobre suposto uso de aeronave durante campanha eleitoral ganhou um novo e significativo desdobramento: o caso saiu da esfera estadual e chegou ao Supremo Tribunal Federal, em razão do foro privilegiado do parlamentar.
Segundo informações reveladas nesta quarta-feira, pela revista VEJA a investigação da Polícia Federal reuniu elementos que apontariam para a utilização de transporte aéreo em benefício da campanha do então candidato sem o correspondente registro oficial nas prestações de contas eleitorais.
De acordo com a apuração, o piloto da aeronave teria confirmado os deslocamentos e relatado que os pagamentos pelos voos ocorreram predominantemente em dinheiro vivo. Para os investigadores, a forma de pagamento chama atenção por apresentar baixa rastreabilidade financeira, elemento considerado sensível em investigações sobre movimentações eleitorais.
Trechos da investigação indicam que a Polícia Federal identificou indícios de uma possível ocultação de despesas. Conforme descrito no inquérito, a dinâmica investigada envolveria pagamentos em espécie intermediados por pessoas ligadas ao entorno político, o que, em tese, poderia dificultar o rastreamento das operações financeiras.
Assessores e interlocutores ligados ao caso foram ouvidos. Segundo a reportagem, um assessor e um advogado relacionados ao agendamento dos voos reconheceram apenas deslocamentos considerados “eventuais”, mas negaram vínculo direto com despesas de campanha.
O envio ao Supremo amplia o peso político e jurídico da investigação. A partir de agora, o andamento dependerá das decisões da Corte, que deverá avaliar os elementos já reunidos e definir os próximos passos do inquérito.
Nos bastidores políticos da Paraíba, o caso já provoca repercussão e tende a ampliar a pressão por esclarecimentos, especialmente porque envolve prestação de contas eleitorais, transporte aéreo e pagamentos em espécie — combinação que tradicionalmente desperta atenção dos órgãos de fiscalização.
A defesa do senador poderá apresentar esclarecimentos no decorrer da tramitação processual. Até o momento, o envio do caso ao STF representa a transferência de competência do processo e não significa condenação ou juízo definitivo sobre os fatos investigados.










