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FAMILIA DE EMPRESÁRIO PARAIBANO ENCONTRADO MORTO NO RECIFE CONTESTA TESE DE SUICÍDIO: “NÃO TIVEMOS ACESSO A NENHUMA PERÍCIA”

Everaldo Coelho Bernardo Filho morreu em 2 de outubro, no Recife. Família afirma que ele vivia bom momento profissional e cobra acesso às provas, transparência e, se necessário, investigação independente.

A família do empresário paraibano Everaldo Coelho Bernardo Filho contesta a hipótese de suicídio inicialmente apresentada e cobra esclarecimentos sobre a morte, ocorrida em 2 de outubro, no Recife.

Empresário do setor de tecnologia, Everaldo havia negociado a venda de sua empresa por alguns milhões de reais e, segundo os familiares, vivia um período de estabilidade financeira e realização profissional. Pai de uma adolescente de 16 anos, ele também mantinha projetos pessoais e profissionais.

A família afirma ainda que o empresário enfrentava desentendimentos conjugais com a esposa, delegada da Polícia Civil de Pernambuco.

O disparo que matou Everaldo foi feito com uma arma pertencente à Secretaria de Defesa Social de Pernambuco e acautelada em nome da delegada. Os familiares reconhecem que essa circunstância, por si só, não prova qualquer participação criminosa, mas defendem uma apuração rigorosa, com preservação das provas e independência dos responsáveis pela investigação.

Família pede acesso ao inquérito

A mãe do empresário, Ana Maria Coutinho de Sales, constituiu o advogado criminalista Aécio Farias Filho, que protocolou, em 9 de outubro, um requerimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Recife.

O pedido inclui acesso integral ao procedimento investigatório, com o laudo cadavérico, a perícia do local, exames balísticos, testes residuográficos e toxicológicos e depoimentos eventualmente colhidos.

Segundo a família, até a apresentação do requerimento não haviam sido fornecidas informações suficientes sobre a dinâmica da morte.

“Não tivemos acesso a nenhuma perícia”, afirmam os familiares, que consideram indispensável analisar os elementos técnicos antes de aceitar qualquer conclusão sobre a causa da morte.

Defesa solicita perícias e preservação de provas

O advogado pediu diligências para esclarecer se o caso envolve suicídio, homicídio ou acidente. Entre os exames solicitados estão os de resíduos de pólvora, impressões digitais, vestígios genéticos, trajetória e distância do disparo, além da busca por lesões compatíveis com luta corporal ou intervenção de terceiros.

A defesa também quer que os peritos avaliem se a posição do corpo e as características da arma são compatíveis com um disparo autoprovocado.

Outro pedido é a preservação de imagens de câmeras de segurança, registros telefônicos, comunicações de emergência, amostras biológicas e demais elementos capazes de ajudar na reconstrução dos fatos.

Família pede apuração independente se houver conflito de interesses

Na petição, o advogado solicita que a Polícia Civil informe se a delegada ou agentes com vínculos pessoais, profissionais ou hierárquicos com ela participaram dos primeiros procedimentos, da preservação do local, da apreensão da arma ou de outras diligências.

Caso seja identificado conflito de interesses, a família pede que a investigação seja transferida para uma unidade independente, com acompanhamento do Ministério Público.

Os familiares ressaltam que não acusam a delegada de envolvimento na morte. Afirmam, porém, que a arma funcional acautelada em nome dela e a falta de acesso às perícias exigem uma apuração especialmente transparente.

A família também cita precedentes do Superior Tribunal de Justiça que reconhecem aos familiares de vítimas o direito de acessar elementos já documentados em investigações criminais.

“A família não quer apontar culpados, quer saber a verdade”

Segundo o advogado, o objetivo não é antecipar acusações, mas evitar que uma versão preliminar seja tratada como conclusão definitiva antes da análise das provas científicas.

Os familiares afirmam que não pretendem transformar suspeitas em acusações, mas não aceitam que a morte de Everaldo seja classificada como suicídio sem o esclarecimento das circunstâncias.

Enquanto aguarda resposta das autoridades pernambucanas, a família pede que todas as hipóteses sejam investigadas com o mesmo rigor, sem privilégios, interferências ou conclusões precipitadas.

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