Carros parados por problemas mecânicos, mas com abastecimentos intensos registrados. Geradores de unidades prisionais que, segundo os elementos da investigação, receberam combustível apenas no papel. Esse é o cenário apurado pela Operação Frota Fantasma, deflagrada nesta quarta-feira (7) pela Polícia Civil da Paraíba e pelo Ministério Público estadual. O possível esquema na Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) teria provocado prejuízo estimado em R$ 800 mil em aproximadamente um ano.
A suspeita expõe uma contradição difícil de ignorar: enquanto os veículos estavam fora de uso, os registros de abastecimento continuavam em movimento. Nessa frota, o que aparentemente rodava com desenvoltura era a despesa pública.
A ação conjunta do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Dracco/PCPB) e do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco/MPPB) cumpriu dez mandados judiciais de busca e apreensão em João Pessoa e Teixeira.
Também foram executadas medidas de bloqueio e sequestro judicial de bens. O objetivo é reunir novas provas e preservar patrimônio para eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Combustível para veículos que não rodavam
De acordo com as informações divulgadas sobre a operação, a própria Seap percebeu os indícios de irregularidades no abastecimento e, no decorrer das investigações, foram identificados registros intensos de fornecimento de combustível atribuídos a veículos quebrados e fora de uso.
Outro ponto envolve os geradores das unidades prisionais. Os investigadores encontraram registros de abastecimentos que, segundo os elementos colhidos, não teriam efetivamente ocorrido.
Se confirmadas as suspeitas, o dinheiro público teria custeado uma movimentação fictícia: combustível registrado para equipamentos e veículos sem correspondência com o abastecimento real. A conta, porém, seria bastante concreta — e paga pelo contribuinte.
Servidor afastado e destino dos recursos sob investigação
Um servidor vinculado ao setor de transportes da Secretaria, identificado como suspeito de responsabilidade pela prática investigada, foi afastado de suas funções,O nome do servidor é mantido sob sigilo não se sabe porque ,e quem autorizava a pratica delituosa
O material apreendido será analisado para esclarecer a extensão das irregularidades, identificar possíveis outros envolvidos e rastrear a destinação dos recursos que teriam sido desviados.
O prejuízo de R$ 800 mil é uma estimativa inicial. As diligências deverão dimensionar com maior precisão o impacto financeiro do possível esquema.
Investigação precisa esclarecer como os registros passaram pelos controles
A operação contou com apoio da Unidade de Inteligência da Polícia Civil, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, da Desarme, da Receita Federal e da Controladoria-Geral do Estado.
Além de apurar responsabilidades individuais, o caso levanta uma questão sobre a fiscalização dos gastos: como abastecimentos atribuídos a carros quebrados e geradores sem fornecimento efetivo puderam constar nos registros?
A identificação dos indícios pela Seap foi o ponto de partida. Agora, a investigação precisa esclarecer como funcionava o possível esquema e qual foi sua extensão. Por enquanto, há suspeitas e elementos em análise, sem conclusão definitiva sobre as responsabilidades,os implicados e envolvidos no esquema criminoso. Mas o contraste já chama atenção: veículos sem condições de circular e despesas com combustível seguindo viagem.









