Instabilidade toma conta das redações, faturamento despenca, audiência encolhe e profissionais vivem sob o temor de receber o aviso de desligamento
A crise que há anos ronda a mídia tradicional da Paraíba parece ter entrado em sua fase mais delicada. Com o mercado publicitário cada vez mais restrito, empresas migrando seus investimentos para as redes sociais e plataformas digitais, e uma audiência que já não demonstra a mesma fidelidade de outros tempos, grupos de comunicação iniciaram uma corrida para reduzir custos — e a conta, mais uma vez, chega ao trabalhador.
O episódio mais recente foi a saída da jornalista Cláudia Carvalho, profissional com longa trajetória na imprensa paraibana, desligada do Grupo Norte de Comunicação. A demissão reforça os rumores de que a empresa prepara uma nova rodada de cortes em busca de aliviar a folha de pagamento.
Nos bastidores, o clima é descrito como de apreensão permanente. Funcionários convivem diariamente com a expectativa de que o Departamento Pessoal bata à porta com a frase que ninguém deseja ouvir: “Você não faz mais parte do grupo.”
Enquanto isso, o sindicato da categoria mantém um silêncio que chama atenção justamente em um dos momentos mais delicados enfrentados pelos profissionais da comunicação no Estado.
A conta da crise
A realidade econômica imposta ao setor não é novidade. O comércio reduziu investimentos, boa parte dos anunciantes migrou para influenciadores digitais e redes sociais, onde o alcance costuma ser maior e os custos menores.
O resultado é uma equação conhecida:
- menos publicidade;
- menor faturamento;
- cortes de despesas;
- demissões;
- queda na qualidade do conteúdo;
- perda de audiência.
Forma-se um círculo vicioso do qual poucos veículos conseguem escapar.
A ironia é inevitável: justamente quando mais se fala em produzir conteúdo de qualidade, são frequentemente os profissionais mais experientes que acabam deixando as redações.
O efeito dominó começou no SBT
O primeiro grande movimento ocorreu após a venda da operação do SBT na Paraíba, hoje administrada pela TH+ SBT, pertencente a um grupo empresarial paulista.
A mudança administrativa foi acompanhada por uma profunda reformulação interna. Em pouco tempo, praticamente toda a antiga direção foi substituída, seguida por sucessivos desligamentos de funcionários.
Mesmo após essa reestruturação, relatos de ba











