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PERIGO A VISTA: MPPB aciona Funesc na Justiça e expõe falhas graves em sistema de incêndio do Espaço Cultural; omissão do Governo da Paraíba vira alvo de ação

João Pessoa – O Ministério Público da Paraíba (MPPB) levou à Justiça a Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), órgão vinculado ao Governo do Estado, após constatar a permanência de graves irregularidades no sistema de prevenção e combate a incêndios do Espaço Cultural José Lins do Rego, um dos principais equipamentos culturais da Paraíba.

A ação civil pública, assinada pela promotora de Justiça Fabiana Lobo, revela um cenário de sucessivos descumprimentos de recomendações ministeriais e de notificações expedidas desde o início das investigações, apontando que a administração da Funesc permaneceu inerte mesmo diante de laudos técnicos do Corpo de Bombeiros que classificaram o sistema como inadequado.

Segundo o Ministério Público, a Justiça foi acionada porque todas as tentativas de solução administrativa fracassaram.

Sistema de combate a incêndio apresenta falhas consideradas graves

De acordo com o relatório do Corpo de Bombeiros, solicitado pelo próprio MPPB, foram identificadas diversas irregularidades que comprometem a segurança de milhares de pessoas que frequentam diariamente o Espaço Cultural José Lins do Rego.

Entre os principais problemas apontados estão:

  • bomba de incêndio à combustão completamente inoperante;
  • encanamento hidráulico com falhas estruturais;
  • hidrantes sem condições de funcionamento;
  • mangueiras adquiridas, mas nunca instaladas;
  • ausência de conexões nas prumadas hidráulicas;
  • brigada de incêndio com certificados vencidos e sem treinamento atualizado.

Para o Ministério Público, as falhas representam risco concreto em caso de incêndio.

MPPB afirma que Funesc ignorou recomendações

A promotora destaca que antes da ação judicial foram expedidos ofícios, realizadas reuniões e emitida recomendação formal para que a Fundação adotasse providências.

Mesmo assim, segundo a ação, praticamente nenhuma das exigências consideradas essenciais foi cumprida.

O documento afirma ainda que a direção da Funesc deixou de responder sucessivas notificações encaminhadas pelo Ministério Público, o que levou ao ajuizamento da ação.

Governo do Estado é pressionado por falta de manutenção

Embora a ação tenha como ré a Funesc, a situação coloca sob pressão a gestão do Governo da Paraíba, responsável pela fundação e pela manutenção do Espaço Cultural José Lins do Rego.

O complexo cultural é um dos maiores equipamentos públicos do estado e recebe diariamente estudantes, artistas, professores, servidores e visitantes para apresentações, cursos, exposições e eventos.

Na avaliação do Ministério Público, a permanência das irregularidades expõe milhares de pessoas a risco desnecessário.

Justiça pode impor prazos e multa diária

Na ação, o MPPB pede que a Justiça determine, em caráter de urgência, que a Funesc apresente em até 15 dias um cronograma físico-financeiro detalhando as obras necessárias para recuperar todo o sistema de combate a incêndio, acompanhado de orçamentos atualizados.

Ao final do processo, o órgão requer que a Fundação seja obrigada a:

  • reparar completamente a bomba de incêndio;
  • substituir o encanamento subterrâneo;
  • regularizar todo o sistema hidráulico;
  • obter o Certificado de Aprovação do Corpo de Bombeiros;
  • manter permanentemente os equipamentos em funcionamento;
  • treinar regularmente a brigada de incêndio.

O Ministério Público também pede a aplicação de multa diária em caso de descumprimento das determinações judiciais.

Equipamento símbolo da cultura paraibana sob questionamento

O caso lança um alerta sobre a conservação de um dos mais importantes patrimônios culturais da Paraíba. A ação judicial sustenta que problemas básicos de manutenção permaneceram sem solução mesmo após fiscalização técnica, recomendação ministerial e autuação do Corpo de Bombeiros.

Se confirmadas as irregularidades descritas no processo, a discussão deixa de ser apenas administrativa e passa a envolver a responsabilidade do poder público pela segurança de milhares de pessoas que frequentam diariamente um espaço mantido pelo Governo do Estado.

Até o momento, a Funesc e o Governo da Paraíba não haviam apresentado posicionamento público sobre o ajuizamento da ação civil pública. O espaço permanece aberto para manifestação das partes.