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TCE aponta rombo na gestão Marcelo Rodrigues , contratos precários e desrespeito à educação em Alhandra; parecer do MPC pede rejeição das contas e envio ao Ministério Público,Uma das principais irregularidades apontadas diz respeito ao uso dos royalties do petróleo.

O parecer do Ministério Público de Contas (MPC), traça um diagnóstico severo e sombrio sobre a gestão da Prefeitura de Alhandra no exercício de 2023, sob responsabilidade do prefeito Marcelo Rodrigues da Costa. O documento conclui pela emissão de parecer contrário à aprovação das contas, aplicação de multa pessoal ao gestor e encaminhamento de representação ao Ministério Público Estadual diante da gravidade das irregularidades encontradas.

Segundo o parecer, a administração municipal acumulou um conjunto de falhas fiscais, contábeis, previdenciárias e administrativas que, analisadas em conjunto, demonstram comprometimento da regularidade da gestão pública.

Royalties deixaram de chegar onde a lei determina

Uma das principais irregularidades apontadas diz respeito ao uso dos royalties do petróleo.

O Ministério Público de Contas afirma que a Prefeitura de Alhandra descumpriu a Lei Federal nº 12.858/2013 ao deixar de aplicar os percentuais obrigatórios dos recursos em Educação e Saúde.

Os números apresentados pelo parecer são contundentes:

  • Alhandra recebeu R$ 2.090.476,99 em royalties sujeitos à vinculação legal;
  • deveria aplicar R$ 1.567.857,74 em Educação;
  • aplicou apenas R$ 1.109.578,24, equivalente a 53,08%, gerando déficit de R$ 458.279,50;
  • na Saúde, deveria investir R$ 522.619,25, mas aplicou somente R$ 47.377,13, ou 2,26%, deixando de destinar R$ 475.242,12.

O parecer é categórico ao afirmar que a existência de dinheiro parado em conta bancária não elimina a irregularidade, mas evidencia que os recursos não foram aplicados nas áreas determinadas por lei dentro do exercício financeiro.

Professores receberam abaixo do piso nacional

Outro ponto de forte impacto social envolve a valorização dos profissionais da educação.

A auditoria identificou 2.128 pagamentos realizados abaixo do Piso Salarial Nacional do Magistério durante 2023.

O valor médio pago foi de R$ 1.996,26, enquanto o piso legal para jornada de 20 horas era de R$ 2.210,27.

Além disso, o parecer destaca que o município mantinha:

  • 169 professores temporários
  • apenas 165 professores efetivos

Destes temporários, 116 já permaneciam na folha desde 2021, trabalhando praticamente durante todo o ano, situação considerada incompatível com a natureza excepcional da contratação temporária.

O Ministério Público de Contas ressalta que, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, o piso nacional também se aplica aos professores contratados temporariamente.

Prefeitura gastou mais com festas enquanto reduzia investimentos estruturantes

O parecer também critica o aumento das despesas com festividades.

Em 2023, Alhandra desembolsou R$ 3.606.050,06, valor 50,95% superior ao registrado no ano anterior.

Para o Ministério Público de Contas, o problema não está na realização de eventos culturais, mas na forma como eles foram financiados.

Segundo o documento, recursos originalmente destinados à infraestrutura esportiva e outras obras foram anulados para reforçar dotações destinadas às festividades, demonstrando deficiência no planejamento orçamentário e possível afronta aos princípios da eficiência, economicidade e responsabilidade fiscal.

Contratações temporárias viraram regra

Outro aspecto considerado grave foi a política de pessoal.

Ao final de 2023, a Prefeitura possuía:

  • 1.099 servidores temporários
  • 651 servidores efetivos

Isso significa que havia 168,82% mais temporários que efetivos, percentual muito superior ao parâmetro técnico de 30% utilizado pelo Tribunal de Contas.

Embora o município tenha informado posteriormente a realização de concurso público, o MPC afirma que as providências ocorreram apenas depois do exercício analisado e não eliminam a irregularidade constatada em 2023.

O parecer vai além e afirma que esse cenário pode caracterizar substituição de servidores concursados por vínculos precários, comprometendo a profissionalização do serviço público e os princípios constitucionais da administração.

Gastos com pessoal ultrapassaram os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal

O documento registra ainda excesso nas despesas com pessoal.

Segundo a análise:

  • o Executivo gastou R$ 94.510.529,13, equivalente a 56,57% da Receita Corrente Líquida, acima do limite ajustado de 56,44%;
  • o total das despesas com pessoal do município alcançou R$ 100.834.338,06, correspondente a 60,35% da Receita Corrente Líquida, ultrapassando o limite legal de 60%.

Além disso, o MPC aponta que despesas típicas de pessoal foram lançadas como “Outros Serviços de Terceiros”, prática que reduz artificialmente os índices oficiais de gasto com pessoal e compromete a transparência das contas públicas.

Inconsistências contábeis alcançam R$ 1,8 milhão

O parecer também identifica falhas relevantes nos registros contábeis.

Entre elas está uma divergência de aproximadamente R$ 1,8 milhão entre os valores registrados oficialmente pela União e pelo Estado e aqueles lançados pelo município no sistema SAGRES.

Para o Ministério Público de Contas, não se trata de erro isolado, mas de um padrão de inconsistências que compromete a confiabilidade da contabilidade pública, dificulta a fiscalização e reduz a transparência da gestão financeira.

Parecer recomenda rejeição das contas

Ao final da análise, o Ministério Público de Contas conclui que o conjunto das irregularidades impede a aprovação das contas de 2023.

O órgão ministerial defende:

  • parecer contrário à aprovação das contas do prefeito;
  • irregularidade das contas de gestão;
  • aplicação de multa pessoal ao gestor;
  • encaminhamento de representação ao Ministério Público Estadual;
  • recomendações para correção das falhas administrativas e contábeis.
  • A decisão definitiva sobre as contas cabe ao Pleno do TCE-PB,