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Samuka Duarte: da tribuna do rádio ao choque com a realidade das urnas, pós abandonar Veneziano e Cícero Lucena o radialista obteve apenas 7.070 votos a Câmara Federal

Com 7.070 votos, o radialista Samuka Duarte encerra a eleição diante de uma realidade bem diferente daquela que projetava antes da abertura das urnas. A estreia na política, que poderia representar o início de uma ascensão eleitoral, acabou expondo as dificuldades de transformar popularidade no rádio em força política.

Samuka entrou na disputa carregando a imagem construída durante anos diante dos microfones: a de um comunicador que cobrava coerência, criticava acordos políticos, questionava mudanças de posição e defendia fidelidade aos princípios anunciados publicamente.

Na política, porém, o discurso passou a enfrentar outro teste.

A aproximação com diferentes grupos e as movimentações envolvendo Veneziano Vital do Rêgo e Cícero Lucena alimentaram críticas de antigos aliados e observadores da cena política paraibana. O radialista, que durante anos apontou contradições no comportamento dos políticos, agora passou a ser cobrado justamente por suas próprias escolhas.

A pergunta que fica é simples: o Samuka do rádio conseguiu sobreviver ao Samuka da política?

Durante a campanha, houve quem interpretasse suas movimentações como uma tentativa de manter portas abertas em diferentes campos. Oficialmente, não há confirmação de que tenha “atirado para todos os lados”, mas a sucessão de alianças e aproximações alimentou essa percepção nos bastidores.

Também surgiram comentários sobre os acordos políticos firmados durante a campanha e sobre os benefícios que poderiam decorrer dessas articulações. Sem documentos que comprovem irregularidades, o que existe é o ambiente de especulação próprio de uma disputa eleitoral marcada por alianças e interesses.

O resultado das urnas, entretanto, é objetivo: 7.070 votos.

E esse número ficou muito distante da expectativa criada em torno da candidatura de alguém que já possuía reconhecimento público e exposição diária no rádio.

O contraste fica ainda mais evidente quando se olha para outro profissional da comunicação que decidiu entrar na política. Nilvan Ferreira, também radialista e conhecido do público paraibano, conseguiu transformar sua presença nos meios de comunicação em uma votação expressiva,talves a maior da história para um iniciante

A comparação é inevitável — até porque os dois vieram do mesmo ambiente profissional, mas chegaram às urnas por caminhos diferentes.

Samuka agora terá de administrar não apenas o resultado eleitoral, mas também o peso das próprias palavras. Durante anos, o microfone lhe deu liberdade para cobrar coerência dos políticos. A política, agora, devolve a cobrança.

A estreia mostrou que popularidade não necessariamente se converte em voto e que o eleitor pode ser muito menos previsível do que os cálculos feitos nos bastidores.

O radialista queria que sua votação disparasse. Quem acabou disparando, pelo menos nas urnas, foi outro colega de profissão.

E talvez essa seja a principal lição deixada pela eleição: no rádio, o discurso termina quando o programa acaba. Na política, cada discurso pode voltar para cobrar a conta,Samuka provou que o ouvinte rejeitou seu nome e lhe deu cartão vermelho,sem esperar pra o amanhã

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