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Réu por fraudes em licitações, vereador de Santa RIta Alysson dos Santos Gomes tem pedido negado de revogação das medidas cautelares e entra no radar de prisão do Gaeco

A decisão assinada pelo juiz Bruno Medrado dos Santos, da 1ª Vara Mista da Comarca de Patos, acendeu um alerta direto sobre o avanço de um dos casos mais sensíveis envolvendo suspeitas de corrupção e fraude em licitações na Paraíba. O magistrado negou o pedido de revogação das medidas cautelares feito por Alysson dos Santos Gomes, réu em ação penal conduzida pelo GAECO.

A decisão não só mantém as restrições como endurece o tom: há risco concreto de agravamento das medidas — incluindo prisão preventiva — caso fique comprovado descumprimento das ordens judiciais.

Esquema sob investigação: dinheiro público e licitações direcionadas

Segundo a denúncia do Ministério Público da Paraíba, o caso remonta a 2018 e descreve um suposto esquema estruturado dentro da Prefeitura de Patos. A acusação aponta:

  • Dispensa indevida de licitação
  • Fraude ao caráter competitivo de certames
  • Participação em organização criminosa

A investigação sustenta que contratos de iluminação pública teriam sido manipulados, com exigências técnicas direcionadas para favorecer empresas específicas, além do pagamento de propinas e desvio de recursos públicos em grande escala.

Medidas cautelares ignoradas?

Alysson Gomes está submetido a um conjunto de restrições impostas pela Justiça, entre elas:

  • Proibição de atuar em qualquer função ligada a licitações ou fiscalização de contratos
  • Proibição de frequentar órgãos da Prefeitura de Patos
  • Obrigação de comparecer a atos processuais
  • Impedimento de sair da Paraíba sem autorização judicial,mais segundo fontes teria supostamente descomprido ao se ausentar para uma viagem internacional fato ocorrido recentimente

O ponto mais delicado surge agora: o Ministério Público informou nos autos que o parlamentar teria assumido, desde janeiro de 2024, o cargo de Auditor de Controle Interno na Prefeitura de Cabedelo.

Se confirmado, o movimento bate de frente com as restrições impostas pela própria Justiça.

Juiz vê risco e manda apurar

Na decisão, o juiz foi direto ao afirmar que a situação não apenas permanece grave, mas pode ter piorado. Ele destacou que o eventual exercício de função pública vedada indica, em tese, descumprimento deliberado de ordem judicial.

Diante disso, determinou o envio de ofício à Prefeitura de Cabedelo para confirmar oficialmente se o investigado ocupa o cargo.

A depender da resposta, o cenário muda de patamar.

Possível prisão entra no radar

O magistrado deixou claro que a legislação permite reação imediata em caso de descumprimento. Com base no Código de Processo Penal, o Judiciário pode:

  • Substituir medidas cautelares
  • Impor novas restrições
  • Ou, no limite, decretar prisão preventiva

A menção explícita a esse caminho não é comum em decisões rotineiras — e indica que o caso passou a ser tratado com maior rigor.

Histórico pesa contra o réu

Outro ponto que reforçou a decisão foi o histórico do investigado. O juiz citou registros anteriores em instâncias eleitorais e órgãos de controle, o que, segundo ele, exige vigilância redobrada do Judiciário.

Na prática, isso reduz a margem de tolerância para qualquer novo descumprimento.

O que vem agora

O processo segue em tramitação sob o número 0003460-63.2019.8.15.0251. Os próximos passos dependem de dois fatores:

  1. A confirmação (ou não) do vínculo com a Prefeitura de Cabedelo
  2. A manifestação do Ministério Público diante dessas informações

Se ficar comprovado que houve desobediência às medidas judiciais, o caso pode avançar rapidamente para uma fase mais dura — com impacto direto no mandato e na liberdade do parlamentar.

Por enquanto, o recado da Justiça já foi dado: o cerco apertou.