O que começou como uma disputa administrativa dentro da Câmara Municipal de Baía da Traição ganhou contornos muito mais profundos. Nos bastidores da política local, aliados de Ronaldo do Mel vereador e presidente da Câmara afastado afirmam que a perseguição enfrentada pelo presidente do Legislativo teve início após sua resistência a iniciativas que poderiam abrir caminho para a expansão imobiliária sobre áreas tradicionalmente ocupadas por comunidades indígenas. Desde então, segundo seus apoiadores, Ronaldo passou a enfrentar uma sequência de ataques políticos promovidos por setores ligados ao ex-prefeito e atual secretário-geral do município, Serginho Lima.

Segundo denúncias, na última segunda-feira (8), parlamentares da base governista teriam forçado a entrada na sede da Câmara Municipal, promovendo uma sessão sem convocação regular e à margem dos procedimentos estabelecidos pelo regimento interno da Casa. O episódio é apontado por opositores como mais uma tentativa de atropelar a legalidade para atingir politicamente o presidente do Legislativo.
Mesmo com o vereador Ronaldo do Mel presente e exercendo regularmente suas funções, a sessão foi conduzida pela vice-presidente da Câmara, que assumiu o comando dos trabalhos sem respaldo legal, colocando em votação uma representação contra o presidente. A matéria, de acordo com as denúncias, sequer havia sido oficialmente protocolada, fato que lança dúvidas sobre a legitimidade do ato.
O caso chama ainda mais atenção porque repete uma prática já rechaçada pela Justiça. Em decisão anterior, o desembargador Camões Eduardo Lisboa classificou como clandestina a sessão que resultou no afastamento de Ronaldo do Mel, determinando sua imediata recondução ao cargo. A decisão judicial foi clara ao reconhecer a ilegalidade dos atos praticados contra o presidente da Câmara.
Apesar disso, o grupo político alinhado a Serginho Lima parece insistir no confronto institucional. Nos bastidores, cresce a avaliação de que a ofensiva não tem motivação administrativa, mas sim política. Ronaldo do Mel tem adotado uma postura fiscalizadora em relação ao Poder Executivo e promovido iniciativas para aproximar o Legislativo das comunidades indígenas, realizando sessões itinerantes nas aldeias e ampliando a participação popular nos debates públicos.
A transferência das sessões para dentro das aldeias indígenas, iniciativa considerada histórica por diversos setores da população local, teria provocado desconforto em segmentos ligados ao poder municipal, acostumados a controlar os espaços de decisão política longe do olhar direto da população.
A nova investida reforça a percepção de que setores governistas não aceitaram a derrota sofrida na Justiça e continuam buscando caminhos alternativos para enfraquecer a presidência da Câmara. O episódio levanta questionamentos sobre o respeito à independência entre os poderes e à própria democracia municipal.
Enquanto isso, Ronaldo do Mel permanece respaldado por decisão judicial e segue no exercício legítimo da presidência da Câmara. Para observadores da política local, a insistência em promover sessões contestadas, ignorando decisões do Judiciário e regras regimentais, representa um grave precedente para a estabilidade institucional de Baía da Traição.
Mais do que um embate entre grupos políticos, o que está em jogo é o respeito às leis, à autonomia do Poder Legislativo e à vontade popular. Quando a disputa política ultrapassa os limites do regimento e desafia decisões judiciais, o risco não é apenas para um presidente de Câmara, mas para toda a democracia municipal.
Após barrar interesses imobiliários em áreas indígenas, Ronaldo do Mel vira alvo de ofensiva do grupo liderado por Serginho Lima








