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Cícero transforma anúncio de vice em ato de força da oposição e mira disputa pelo Governo

O ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), decidiu dar peso político ao anúncio do seu pré-candidato a vice e transformar o movimento em um recado direto ao tabuleiro estadual. A escolha de Diogo Cunha Lima (PSD) será oficializada nesta segunda-feira (27), em Campina Grande, num evento pensado para reunir lideranças e consolidar alianças da oposição.

Não é um gesto trivial. Levar o ato para Campina, reduto histórico do clã Cunha Lima e também base de influência do atual grupo governista, é uma escolha calculada. No centro dessa engrenagem está a família do ex-governador Cássio Cunha Lima, que entrou em campo para manter o acordo político após a recusa de Pedro Cunha Lima ao convite para compor a chapa.

O movimento revela duas coisas ao mesmo tempo: a capacidade de articulação de Cícero e a necessidade da oposição de fechar fileiras em torno de um projeto competitivo. A escolha de Diogo surge como alternativa para preservar a unidade e evitar fissuras num grupo que ainda busca equilíbrio diante de adversários bem posicionados, como o governador Lucas Ribeiro (PP).

Cícero joga com a experiência — e com a memória política. Ele tenta voltar ao comando do Estado após mais de três décadas. Em 1994, chegou ao governo como vice de Ronaldo Cunha Lima, assumindo o cargo quando o titular deixou o posto para disputar o Senado. Agora, tenta reconstruir esse caminho em um cenário muito mais fragmentado e competitivo.

O evento, marcado para o Seminário Arquidiocesano, às 10h, não deve ser apenas protocolar. A expectativa é de um palco cheio, com discursos afinados e um objetivo claro: mostrar que a oposição tem nome, tem chapa e quer entrar no jogo com força real.

Nos bastidores, a leitura é simples: mais do que anunciar um vice, Cícero quer marcar território — e deixar claro que não pretende ser coadjuvante na disputa pelo Palácio da Redenção.