Influenciadora e empresária completa 90 dias presa nesta sexta-feira; Ministério Público de São Paulo sustenta que ela teria papel central no núcleo financeiro de organização investigada por lavagem de dinheiro
O Ministério Público de São Paulo pediu a manutenção da prisão preventiva da influenciadora e empresária Deolane Bezerra, presa desde 21 de maio. A manifestação ocorre às vésperas de a custódia completar 90 dias, prazo que exige nova avaliação judicial sobre a necessidade da manutenção da medida cautelar.
Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (20), o MP sustenta que a soltura da investigada representaria risco de continuidade das atividades criminosas. Na manifestação, o promotor Lincoln Gakiya defende a permanência da prisão preventiva sob o argumento da garantia da ordem pública.
De acordo com a investigação, Deolane é apontada como integrante do chamado núcleo financeiro da estrutura investigada. O Ministério Público descreve uma organização dividida em três frentes: um núcleo decisório, um núcleo operacional e um núcleo financeiro.
Segundo a acusação, o núcleo financeiro seria formado por Deolane Bezerra e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. A investigação atribui à empresária uma posição de destaque na movimentação, ocultação e dissimulação de valores supostamente provenientes de atividades ilícitas.
O caso está inserido na Operação Vérnix, investigação conduzida contra uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Em maio, a operação resultou em mandados de prisão preventiva, bloqueio de mais de R$ 327 milhões e medidas de sequestro de veículos e imóveis vinculados aos investigados.
Juiz terá de reavaliar prisão
Completados 90 dias de prisão preventiva, a legislação prevê a necessidade de reavaliação periódica da medida. Caberá agora ao juiz responsável pelo processo decidir se os fundamentos para a manutenção da prisão continuam presentes ou se Deolane poderá responder ao processo em liberdade, eventualmente submetida a medidas cautelares.
O Ministério Público, no entanto, defende que a prisão seja mantida. A acusação sustenta que os investigados atuariam em benefício da estrutura financeira da organização criminosa e que a liberdade dos envolvidos poderia comprometer a ordem pública e favorecer a continuidade das condutas investigadas.
A defesa de Deolane Bezerra tem contestado a prisão preventiva e já apresentou pedidos de liberdade e de substituição da custódia por outras medidas. Em decisões anteriores, o Tribunal de Justiça de São Paulo e, posteriormente, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça mantiveram a prisão preventiva.










