Novas evidências adicionam um novo capítulo à crise política envolvendo o Palácio do Planalto e investigações da Polícia Federal. Fotografias inéditas obtidas pela midia nacional revista VEJA comprovam a proximidade, a parceria e uma série de viagens de luxo realizadas entre Fábio Luís da Silva, o Lulinha — primogênito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva —, e a lobista Roberta Luchsinger.
Entre os registros divulgados estão imagens de um jato particular modelo Embraer Praetor 600 (avaliado em mais de 20 milhões de dólares) utilizado pelo grupo, incluindo uma viagem ao norte da Europa no início de 2024 para assistir à aurora boreal na Finlândia. Além do transporte aéreo de alto padrão, o material mapeia roteiros de grife, estadias em locais exclusivos e momentos de descontração.
O racha e as acusações públicas
A relação, que operava nos bastidores de Brasília, veio à tona após investigações sobre o suposto esquema de tráfico de influência e corrupção — incluindo desdobramentos ligados a fraudes no INSS.
O ponto de ruptura público ocorreu quando o presidente Lula negou qualquer vínculo com a empresária durante uma sabatina, chegando a chamá-la de “pilantra” e de “Vorcaro feminino” (em referência ao banqueiro Daniel Vorcaro). A declaração gerou revolta em Luchsinger. Em entrevista recente à CNN Brasil, a lobista rebateu as falas do presidente, classificou a postura como “covarde” e manifestou o desejo de fechar um acordo de delação premiada, alegando estar sofrendo pressões e retaliações da máquina pública.
Relação com negócios e contratos bilionários
De acordo com os inquéritos conduzidos pela Polícia Federal, Luchsinger e Lulinha teriam montado um núcleo de atuação voltado para atender a interesses privados no governo federal. A dinâmica consistia na captação de clientes pela empresária, enquanto o primogênito utilizava sua proximidade com o Palácio do Planalto e ministérios para destravar demandas sensíveis.
A investigação também aponta ligações com empresários de peso no cenário nacional, como o presidente do conselho de administração da Empresa Construtora Brasil (ECB) — ligada ao grupo Mota-Engil, vencedora do leilão do túnel Santos-Guarujá e com contratos de bilhão com a Petrobras. A defesa da lobista sugere que conexões desse tipo davam suporte financeiro e logístico ao padrão de vida de Lulinha, que atualmente reside em um condomínio de luxo em Madri, na Espanha.
A defesa
A reportagem o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa o filho do presidente, negou veementemente qualquer irregularidade e classificou a investida como uma tentativa de “pesca probatória” e de criar intrigas políticas às vésperas de eleições. Segundo a defesa, as viagens e o padrão de vida de Lulinha são frutos estritamente de laços de amizade e do esforço de seu próprio trabalho na área de consultoria corporativa.

O caso segue sob escrutínio da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal (STF), com desdobramentos que prometem continuar movimentando o cenário político nacional.









