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Lucas Ribeiro é o candidato, mas Aguinaldo e Hugo Motta comandam as cartas do jogo político

O pré-candidato governista ao Palácio da Redenção tem nome, partido e função definidos: Lucas Ribeiro (PP) será o rosto da base governista na disputa pelo Governo da Paraíba. Atual vice-governador, caberá a ele defender nas ruas o legado dos mais de sete anos da gestão João Azevêdo (PSB), participar de entrevistas, debates, visitar municípios, feiras e tentar convencer o eleitorado de que o projeto governista deve continuar.

Mas, enquanto Lucas se prepara para ocupar o centro do palco eleitoral, os bastidores da pré-campanha indicam que as principais articulações políticas passam por outras duas figuras: Aguinaldo Ribeiro (PP), tio do pré-candidato, e Hugo Motta (Republicanos), presidente da Câmara dos Deputados.

São eles que, cada um a seu modo, vêm movimentando peças importantes do tabuleiro antes mesmo do início oficial da campanha.

Um dos exemplos foi a aproximação do Avante e do médico Jhony Bezerra com o campo governista, movimento que enfraquece o projeto eleitoral do prefeito de João Pessoa e pré-candidato ao Governo, Cícero Lucena (MDB). Hugo Motta teve participação relevante nessa articulação, apesar de ter afirmado, meses antes, que não atuaria para retirar aliados da base de João Azevêdo.

Aguinaldo Ribeiro, por sua vez, intensificou conversas com vereadores de João Pessoa e lideranças políticas de diferentes grupos. O objetivo é ampliar o campo de apoio a Lucas Ribeiro e, simultaneamente, reduzir espaços da base de Cícero Lucena.

A movimentação mais recente ocorreu em reunião com o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos). O encontro acontece em meio a discussões que envolvem a relação entre Executivo e Legislativo, a transição de governo e o veto de João Azevêdo às emendas impositivas dos deputados — tema que poderá produzir efeitos políticos nos meses em que Lucas Ribeiro eventualmente estiver à frente do Executivo estadual.

Não foi uma conversa sobre amenidades. Foi política.

A própria construção da chapa governista revela o peso dos dois articuladores. Aguinaldo atua diretamente na sustentação do projeto eleitoral do sobrinho. Hugo Motta, por sua vez, colocou o Republicanos no centro da composição e levou para a disputa majoritária o nome de seu pai, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos).

O desenho é claro: Lucas Ribeiro é o candidato, mas Aguinaldo Ribeiro e Hugo Motta aparecem como dois dos principais operadores da engrenagem política que sustenta sua candidatura.

A questão que começa a circular nos bastidores, porém, vai além da eleição.

Se Lucas Ribeiro vencer, qual será o tamanho da influência desses dois grupos na futura estrutura de poder?

A dúvida não está apenas sobre quem vai ajudar a ganhar a eleição. A pergunta que começa a ser feita na classe política é outra: depois de ajudar a montar o tabuleiro e mover as peças durante a campanha, Aguinaldo Ribeiro e Hugo Motta também terão participação direta nas decisões administrativas de um eventual governo Lucas Ribeiro?

Lucas será o nome na urna. Mas, até aqui, o jogo político tem sido conduzido por estrategistas que já conhecem, há muito tempo, os caminhos — e os atalhos — do poder.

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