O juiz Milton Lívio Lemos Salles foi suspenso pelo Conselho Nacional de Justiça após ser flagrado bebendo vinho e fumando durante sessão virtual; em vídeo posterior, atacou ministros e desembargadores e afirmou ter conhecimento de supostos casos de corrupção
O juiz de segundo grau Milton Lívio Lemos Salles, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, está no centro de uma grave crise envolvendo sua conduta funcional. O magistrado foi suspenso pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) depois de ser flagrado bebendo vinho e fumando durante uma sessão de julgamento por videoconferência.
A decisão tem efeito imediato e impede o magistrado de exercer suas atividades no TJMG, além de proibi-lo de acessar o tribunal e os sistemas eletrônicos da Corte. O caso ainda será submetido às instâncias competentes para continuidade da apuração.
A situação ganhou contornos ainda mais explosivos após a divulgação de um vídeo gravado pelo próprio juiz. Na gravação, Salles afirma ser vítima de difamação e faz acusações contra o STF, o STJ, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Alexandre de Moraes e integrantes do Judiciário mineiro.
Segundo o portal no conteúdo, o magistrado chegou a classificar integrantes das instituições como “corruptos” e afirmou ter conhecimento de supostas irregularidades no Judiciário. As acusações, entretanto, foram feitas sem apresentação pública de documentos ou provas que as sustentassem.
Ataque a Alexandre de Moraes
Entre as declarações atribuídas ao magistrado está o ataque direto ao ministro Alexandre de Moraes. A expressão “filho da puta”, citada na repercussão do episódio, deve ser atribuída ao juiz e não apresentada como afirmação jornalística sobre o ministro.
O episódio acrescenta uma dimensão institucional à crise, já que Moraes é integrante do Supremo Tribunal Federal e alvo direto das acusações feitas por Salles.
Vinho e cigarro durante julgamento
O episódio que desencadeou a reação disciplinar ocorreu durante uma sessão virtual do TJMG. Nas imagens, Salles aparece bebendo vinho diretamente de uma garrafa e fumando diante da câmera.
A sessão precisou ser interrompida quando os demais participantes perceberam o comportamento. Segundo o TJMG, ainda havia três processos previstos para julgamento. Os processos sob responsabilidade do magistrado deverão ser redistribuídos.
O CNJ considerou a postura incompatível com a responsabilidade inerente ao exercício da magistratura. A decisão destacou que não seria admissível que decisões capazes de afetar direitos e liberdades fossem proferidas por um magistrado que demonstrasse, durante ato público de julgamento, falta de domínio de si e das faculdades exigidas para o cargo.
Agora, o foco está nas acusações
Com o afastamento e a sindicância instaurada, o caso deixou de ser apenas uma discussão sobre o comportamento de um juiz diante de uma câmera.
As acusações feitas posteriormente pelo magistrado contra integrantes do Judiciário levantam uma segunda frente de apuração: se existem elementos concretos capazes de sustentar as denúncias de supostas irregularidades que ele afirma conhecer.

O caso, portanto, reúne dois episódios distintos: de um lado, uma medida disciplinar contra o juiz por sua conduta durante uma sessão judicial; de outro, acusações graves feitas por ele contra autoridades e instituições do próprio sistema de Justiça.









