Ex-prefeito de Santa Rita foi condenado por unanimidade pelo Pleno do Tribunal de Justiça da Paraíba por crime de responsabilidade administrativa e declarou uma evolução patrimonial que chama atenção: de R$ 320 mil em bens, em 2016, para uma relação que inclui 24 terrenos, apartamentos, joias e participação em prédio comercial.
Santa Rita parece ter produzido uma fórmula interessante para a multiplicação patrimonial. Emerson Panta, eleito prefeito pela primeira vez em 2016, declarou à Justiça Eleitoral possuir cerca de R$ 320 mil em bens. Anos depois, a declaração patrimonial apresenta um cenário bem diferente.
São 24 terrenos, dos quais dois estão localizados no Alphaville, um dos condomínios de maior valorização da Paraíba. A lista ainda inclui quatro apartamentos, joias e 50% de participação em um prédio comercial.
Em nove dos terrenos, Panta declarou possuir apenas 50% da propriedade. Ainda assim, o conjunto de bens informado revela uma evolução patrimonial que, no mínimo, merece atenção pública.
No papel, R$ 2 milhões. No mercado, a conta pode ser bem maior
A declaração apresentada à Justiça Eleitoral atribui ao patrimônio o valor aproximado de R$ 2 milhões. Mas há um detalhe que torna a matemática particularmente curiosa: os valores declarados para imóveis nem sempre acompanham os preços praticados no mercado.
Considerando a quantidade de terrenos, apartamentos, participação em imóvel comercial e propriedades localizadas em áreas valorizadas, uma estimativa baseada em valores de mercado poderia elevar significativamente o patrimônio total.
Ou seja: no papel, milhões. Fora do papel, a conta pode ser ainda maior.
Da prefeitura para a declaração de bens, uma evolução que merece explicação
Entre a primeira eleição, em 2016, quando declarou aproximadamente R$ 320 mil, e a declaração patrimonial mais recente, a diferença é expressiva.
A questão central, naturalmente, não é possuir patrimônio. Ter imóveis, terrenos ou investimentos não constitui, por si só, qualquer irregularidade.
Mas quando um agente político acumula uma evolução patrimonial dessa dimensão — especialmente após exercer dois mandatos à frente de uma das maiores cidades da Paraíba — a transparência deixa de ser uma opção e passa a ser uma obrigação perante a opinião pública.
Afinal, como se explica uma evolução patrimonial que sai de R$ 320 mil para uma declaração recheada de terrenos, apartamentos, joias e participação em prédio comercial?
Essa é uma pergunta que os documentos públicos ajudam a levantar. A resposta, contudo, precisa estar sustentada em informações documentadas sobre a origem e a evolução dos recursos.
Condenação unânime aumenta o peso político do debate
O cenário ganha ainda mais repercussão porque Emerson Panta foi condenado por unanimidade pelo Pleno do Tribunal de Justiça da Paraíba por crime de responsabilidade administrativa, conforme a informação apresentada.
A condenação e a evolução patrimonial são fatos distintos e não devem ser confundidos. Não é possível afirmar, sem provas e documentação específica, que o patrimônio tenha qualquer relação com o processo que resultou na condenação.
Mas, politicamente, a combinação dos dois elementos torna inevitável o debate: um ex-prefeito condenado por unanimidade e uma evolução patrimonial que, segundo os valores declarados, chama atenção pela quantidade de bens acumulados.
Em Santa Rita, resta uma pergunta incômoda que dificilmente desaparecerá com uma simples declaração de bens:

Como um patrimônio declarado em R$ 320 mil em 2016 passou a reunir 24 terrenos, quatro apartamentos, joias e participação em um prédio comercial em poucos anos?
A matemática patrimonial pode até estar formalmente declarada. Mas, para a opinião pública, os números ainda parecem pedir explicações — porque, em Santa Rita, pelo visto, não foi apenas o patrimônio que cresceu. As perguntas também.














