A exoneração de Ronaldo Guerra do núcleo duro do governo estadual encerra um ciclo longo — e bastante controverso — dentro da política paraibana. A caneta que selou a saída foi a do atual governador em exercício, Lucas Ribeiro, que decidiu afastar um dos personagens mais temidos e comentados dos bastidores do poder.
Para quem observa a política da paraiba há mais tempo, a trajetória de Guerra sempre chamou atenção. Antes de circular pelos corredores do Palácio e influenciar decisões de governo, ele começou de forma bem mais modesta: tentou empreender com uma loja de tintas na capital paraibana — experiência empresarial que, segundo relatos conhecidos nos bastidores, não terminou bem e acabou quebrando.
Mas se o comércio não prosperou, a política acabou abrindo outras portas.
Ronaldo Guerra passou a ganhar espaço em emissoras de rádio, criticando gestores, denunciando problemas administrativos e se apresentando como uma espécie de fiscal da política local. Aos poucos, foi deixando de ser apenas um crítico do sistema para se tornar parte dele.
A escalada foi rápida. Guerra acabou se aproximando do poder municipal e chegou a ocupar cargo de destaque na gestão do então prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, onde assumiu a Secretaria de Infraestrutura. Foi ali que começou a consolidar uma reputação de operador político habilidoso — e, para muitos, implacável.
Com o tempo, ele se aproximou ainda mais do centro das decisões estaduais e caiu na graça do então governador João Azevêdo. Dentro do governo, virou uma espécie de “homem de confiança”, presença constante nas articulações mais delicadas e nas decisões que raramente apareciam nos holofotes.
Nos bastidores, porém, a fama era outra.
Críticos costumavam descrevê-lo como o tipo de assessor que nunca contrariava o chefe — aquele que, segundo ironias correntes nos corredores do poder, sentiria até o cheiro de um pum e juraria que era perfume francês, só para agradar quem manda.
Com esse perfil, Guerra atravessou anos no epicentro da política estadual, acumulando influência e também desafetos. Há quem diga que, quando surgia uma missão espinhosa ou politicamente indigesta, ele era sempre escalado para o pelotão de frente.
Agora, fora do governo por decisão de Lucas Ribeiro, a reação foi imediata: enquanto aliados lamentam a saída de um operador experiente, adversários comemoram discretamente o fim de uma era.
Nos bastidores, alguns analistas já apontam que o episódio pode acabar respingando no projeto político de João Azevêdo, especialmente diante das movimentações que o colocam como favorito candidato ao Senado
No fim das contas, a história de Ronaldo Guerra parece seguir uma lógica antiga da política: personagens que passam anos acumulando poder também acumulam desgaste.
Ao que tudo indica, Ronaldo Guerra não precisará se preocupar em trabalhar tão cedo. Se quiser, pode muito bem armar uma rede, deitar e passar uns bons quatro anos vivendo do que conseguiu acumular nessa longa temporada no poder.
Dinheiro, ao que dizem as más línguas da política, dificilmente será problema para Guerra.
Assim termina mais um capítulo da política paraibana — uma história construída com habilidade, bajulação, articulações duras e um estilo que muitos classificam como áspero, outros como eficiente, e alguns como simplesmente indigesto.
E quando a porta finalmente se fecha, muitos percebem algo que sempre esteve ali — na política, ninguém é eterno.










