DEU NO ESTADÃO : O senador Efraim Filho, recém-filiado ao Partido Liberal (PL), teve um boleto pessoal de R$ 51.632,64 quitado por Erik Janson Marinho, investigado por suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro ligada a desvios no INSS. O caso consta em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) obtido pelo Estadão.
Segundo o documento, a transação financeira foi considerada “atípica” e chamou atenção das autoridades por envolver um investigado na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que mira desvios de benefícios previdenciários. Erik Janson Marinho é, segundo o próprio Coaf, segundo suplente do parlamentar.
Embora o senador não esteja formalmente investigado, o relatório cita o pagamento feito em seu nome. “Identificamos a realização de pagamentos de boletos de cobrança em nome de terceiros. Por amostragem, demonstramos os principais sacados: (…) 51.632,64 01 Efraim de Araújo Morais Filho”, destaca o Coaf.
Em defesa, Efraim Filho afirmou que solicitou ajuda ao suplente por não ter saldo disponível na data do vencimento do boleto. “Se trata de um boleto de um contrato privado meu. No dia do vencimento, eu não tinha o valor em conta. Pela nossa relação de suplente, perguntei se ele podia me ajudar a quitar o boleto, e ele disse que sim”, disse o senador.
O parlamentar também afirmou que tentou devolver o valor, mas que Erik Janson Marinho não cobrou a quantia. A situação, no entanto, levanta questionamentos sobre a proximidade entre o senador e um investigado em esquema de desvios de recursos públicos, especialmente em um momento de mudança partidária e de intensa visibilidade política na Paraíba.
Especialistas em ética parlamentar alertam que, mesmo que não haja indício de crime, transações financeiras desse tipo podem gerar suspeitas e comprometer a imagem de agentes públicos, reforçando a necessidade de maior transparência sobre a origem e o destino de recursos utilizados por políticos e seus colaboradores próximos.










