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“Velho Oeste em Santa Rita”: sob silêncio da presidência, Câmara revive faroeste político com ameaças, armas e bastidores nebulosos

Se alguém entrar distraído na Câmara Municipal de Santa Rita pode até pensar que chegou a um cenário de filme antigo de faroeste. A diferença é que, no lugar de cavalos e poeira, há microfones, sessões legislativas e vereadores. E, segundo relatos que circulam nos bastidores do próprio Legislativo, até armas de grosso calibre estariam fazendo parte do roteiro.

O clima de rivalidade política na cidade só aumentou após a vitória do prefeito Jackson Alvino, mas o que vem acontecendo dentro da chamada “Casa do Povo” parece ir além do embate político. A Câmara virou personagem frequente do noticiário — não exatamente por projetos ou debates que mudem a vida da população.

Entre denúncias e relatos de bastidores, um dos pontos mais graves envolve a suspeita de vereadores circulando armados dentro do plenário durante sessões, inclusive com menção à presença de pistola calibre 7.65. Se confirmado, o fato seria algo digno de investigação urgente por parte das autoridades.

Mesmo diante de denúncias públicas, vídeos nas redes sociais e episódios que expõem o ambiente de tensão, o que mais chama atenção é o silêncio da presidência da Câmara, acusada por parlamentares e fontes internas de tratar o assunto com uma tranquilidade que beira a omissão.

O vereador Clóvis de Loy gravou e divulgou um vídeo afirmando ter sido ameaçado de morte, relatando ainda que outro parlamentar teria passado pela mesma situação, mas preferiu não se expor publicamente. A denúncia caiu como uma bomba nos bastidores do Legislativo.

Outro caso que chamou atenção envolve o vereador Vagner de Bebê, que também publicou vídeo relatando ameaças contra sua vida. O episódio ganhou repercussão ainda maior porque o parlamentar responde a processo relacionado a um suposto homicídio, utilizando inclusive tornozeleira eletrônica.

Como se não bastasse, o vereador Otávio Bernardino teve sua residência alvejada por disparos de arma de fogo, um episódio grave que, segundo relatos, nunca foi devidamente esclarecido pelas autoridades.

Nos bastidores da Câmara, parlamentares admitem reservadamente o clima de tensão, mas publicamente muitos preferem adotar a clássica estratégia política do “não vi, não sei, não estava”. Curiosamente, são os mesmos que, longe das câmeras, reconhecem que o ambiente dentro da Casa está longe de ser normal.

Também há relatos de que pessoas ligadas a facções locais estariam frequentando as galerias durante sessões, misturadas à população que acompanha os trabalhos legislativos — um cenário que, se confirmado, expõe ainda mais o nível de vulnerabilidade institucional.

Diante desse conjunto de fatos, cresce a cobrança por uma atuação firme do Ministério Público da Paraíba e do GAECO, antes que o roteiro de faroeste que parece estar sendo encenado dentro do Legislativo municipal tenha um desfecho trágico.

Porque, no fim das contas, Santa Rita não precisa de bang-bang político.
Precisa de transparência, responsabilidade e instituições funcionando — de preferência sem armas no plenário e sem silêncio conveniente na presidência da Casa.