A pré-campanha ao Senado do ex-governador da Paraíba, João Azevêdo, começa a enfrentar sinais de turbulência política nos bastidores. Nos últimos dias, o próprio líder socialista tem demonstrado incômodo com o que considera movimentos de infidelidade dentro de sua base de apoio, especialmente diante do avanço do também pré-candidato ao Senado, Nabor Wanderley.
A queixa de João tem endereço certo. Nos bastidores, interlocutores apontam que o ex-governador estaria incomodado com a ofensiva política promovida por Nabor junto a lideranças que historicamente caminharam ao seu lado. O cenário revela uma disputa cada vez mais intensa pela preferência de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças regionais.
O fato chama atenção porque a própria ascensão do nome de Nabor ao cenário estadual teve forte influência do grupo político liderado por João Azevêdo. Agora, porém, o que antes parecia uma construção conjunta começa a dar sinais de afastamento, alimentando especulações sobre uma possível disputa silenciosa dentro da própria base governista.
Nos últimos meses, diversas lideranças que publicamente declaravam fidelidade ao ex-governador passaram a demonstrar simpatia ou apoio ao projeto político de Nabor. Um dos episódios mais comentados foi a perda do apoio de Venceslau, importante liderança política da cidade de Teixeira, que passou a se aproximar do grupo liderado pelo prefeito patoense.
Nos corredores da política paraibana, a avaliação é que Nabor vem realizando uma articulação agressiva e estratégica, ampliando sua presença em redutos tradicionalmente ligados a João Azevêdo. O movimento tem provocado desconforto entre aliados do ex- governador e aumentado as dúvidas sobre a capacidade de manutenção da unidade do grupo para as eleições de 2026.
Embora não exista rompimento oficial, os sinais de desgaste são cada vez mais evidentes. Enquanto Nabor amplia sua rede de apoios, João observa parte de sua base histórica escorrer pelos dedos, em um processo que preocupa setores do governismo.
O clima nos bastidores já é descrito por aliados como de desconfiança e alerta máximo. Na linguagem popular, muitos resumem a situação de forma direta: “a vaca está desmamando o bezerro”. A expressão reflete o sentimento de que antigos compromissos políticos estão sendo deixados para trás diante da nova correlação de forças que começa a se desenhar na corrida pelo Senado Federal.
Com a aproximação das definições eleitorais, a tendência é que a disputa por apoios se intensifique ainda mais, podendo transformar aliados de ontem em adversários de amanhã dentro do mesmo campo político.










