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ESCÂNDALO NA POLÍCIA CIVIL: MAIS DE 40 MIL ÁUDIOS REVELAM SUPOSTA LIGAÇÃO DE DELEGADO E AGENTES COM ESQUEMA DO TRÁFICO NA PARAÍBA

A Operação Perfídus, deflagrada pela Polícia Civil da Paraíba em conjunto com o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), expôs um dos casos mais graves já registrados envolvendo integrantes das forças de segurança do estado. A investigação, que durou mais de um ano, analisou mais de 40 mil áudios trocados entre os investigados e culminou na prisão de um delegado da Polícia Civil, dois agentes e outros suspeitos apontados como integrantes de uma organização ligada ao tráfico de drogas.

O principal alvo da operação é o delegado Braz Morroni de Paiva Júnior, que estava à frente da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa. Também foram presos os agentes civis Eduardo Jorge Ferreira e Everton Rychelyson. Todos tiveram as prisões temporárias mantidas pela Justiça durante audiência de custódia realizada poucas horas após a operação.

Segundo o secretário de Segurança Pública da Paraíba, Jean Nunes, a quantidade de material analisado demonstra a complexidade e a robustez das investigações. De acordo com ele, os elementos reunidos apontam para uma suposta colaboração entre agentes públicos e traficantes, cenário considerado extremamente preocupante pelas autoridades.

“Mais de um ano de investigação, mais de 40 mil áudios analisados pela Polícia Civil e Gaeco. Estamos combatendo a chegada do Comando Vermelho ao nosso estado e agentes de segurança associados com traficantes alimentam essa facção para que as drogas retornem às ruas”, afirmou o secretário.

A declaração evidencia a gravidade das suspeitas. As investigações apontam que integrantes da própria estrutura policial podem ter atuado para favorecer interesses criminosos, comprometendo operações de combate ao narcotráfico e fortalecendo organizações que tentam expandir sua atuação na Paraíba.

Além dos policiais, também tiveram as prisões mantidas João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral, Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como “Galinha”, José Alexandrino de Lira Júnior, o “Júnior Lira”, e Vanessa Dantas Fernandes.

O único alvo que não foi localizado durante a ofensiva policial foi Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como “Babau”. Apontado como peça importante dentro da investigação, ele é considerado foragido e, segundo informações da polícia, estaria fora da Paraíba.

A queda de Braz Morroni chama atenção pela trajetória construída dentro da corporação. Delegado há mais de duas décadas, ele ingressou na Polícia Civil em 2004 após aprovação em concurso público. Ao longo da carreira, atuou em delegacias de Cuité, Itabaiana e Campina Grande, além de ter exercido funções na Delegacia de Repressão a Entorpecentes antes de assumir a DCCPAT em 2019.

Agora, o experiente delegado vê sua carreira colocada sob suspeita em uma investigação que pode provocar desdobramentos ainda maiores. As autoridades não descartam novas fases da operação, especialmente diante do vasto material apreendido e das milhares de mensagens e gravações que continuam sendo periciadas.

A defesa de Braz Morroni divulgou nota afirmando que respeita a investigação, mas destacou que o delegado possui o direito constitucional à presunção de inocência. Os advogados informaram ainda que irão analisar os autos para adotar as medidas judiciais cabíveis visando reverter a prisão.

Enquanto isso, a Operação Perfídus abre uma ferida profunda na credibilidade institucional da segurança pública paraibana. O caso coloca sob escrutínio não apenas a conduta individual dos investigados, mas também os mecanismos internos de controle e fiscalização das corporações encarregadas justamente de combater o crime organizado.

Se confirmadas as acusações, o episódio revelará um cenário alarmante: integrantes do aparato estatal atuando, supostamente, em benefício da mesma estrutura criminosa que deveriam enfrentar, fortalecendo o tráfico e ampliando os riscos para a sociedade paraibana.