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EMERGENCIAL: Dispensa sob suspeita: Prefeitura de Alhandra entra na mira após contrato de 445 mil levantar alerta de possível dano ao erário

Uma contratação emergencial da Prefeitura Municipal de Alhandra virou alvo de fortes questionamentos e ganhou contornos preocupantes dentro do Tribunal de Contas da Paraíba. Parecer do Ministério Público junto ao TCE considerou procedente uma denúncia envolvendo a dispensa de licitação nº 00005/2021, relacionada à locação de veículos para diversas secretarias municipais.

A conclusão do órgão técnico não foi suave: a contratação apresentou irregularidades consideradas graves, com recomendação de multa ao gestor responsável e até apuração de eventual dano ao erário.

Segundo o documento, a justificativa usada para a dispensa emergencial de licitação foi colocada em xeque. A análise apontou que esse tipo de mecanismo não pode servir para encobrir falta de planejamento administrativo — prática frequentemente criticada pelos órgãos de controle.

Os números também chamaram atenção. O contrato previa cerca de R$ 445 mil em apenas três meses, o que gerava um custo mensal superior a R$ 148 mil. Técnicos chegaram a destacar que, para efeito comparativo, esse montante seria suficiente para locar dezenas de veículos populares no mercado.

Outro ponto que provocou estranheza foi o fato de a Prefeitura possuir dezenas de motoristas cadastrados, enquanto o contrato previa fornecimento de veículos com condutor, levantando dúvidas sobre a necessidade e razoabilidade da contratação.

A empresa escolhida também entrou no radar. Conforme o parecer, a contratada aparentava funcionar em uma residência, apesar de já ter movimentado mais de R$ 1 milhão em contratos com municípios paraibanos no período analisado.

Embora uma investigação do Ministério Público comum não tenha identificado dolo específico para configurar improbidade administrativa, o próprio parecer deixa claro que isso não elimina a existência das falhas. Em outras palavras: não se comprovou intenção deliberada, mas as irregularidades permaneceram de pé.

O Ministério Público junto ao TCE manteve entendimento pela procedência da denúncia, pela irregularidade da dispensa e pela necessidade de investigar possível prejuízo aos cofres públicos.

Nos bastidores, a pergunta que permanece é simples e incômoda: era urgência administrativa ou mais um caso onde a emergência apareceu apenas depois que o planejamento desapareceu