Em Santa Rita, o dia começa cedo — pelo menos para a maioria. Às 4h da manhã, trabalhadores do campo já estão de pé, enfrentando sol forte, poeira e jornadas que só terminam à noite. O salário é curto, o reconhecimento é raro e a bicicleta ainda é, para muitos, o principal meio de transporte.
Na Câmara Municipal, o cenário é bem diferente.

É ali que atua Yasmin Fernandes Crozeta, jovem, sempre bem apresentada, ambiente climatizado e um salário que beira os R$ 10 mil mensais — valor elevado para os padrões do município e distante da realidade da maioria dos santarritenses.
Yasmin está lotada no gabinete do vereador Alisson Gomes, político conhecido nos bastidores do Legislativo por sua atuação estratégica e forte posicionamento oposicionista. Não há vínculo familiar entre os dois — mas isso não encerra o debate.
Afinal, qual é a função?
Essa é a pergunta que circula nos corredores da Câmara, nos grupos de WhatsApp e nas conversas políticas da cidade:
o que exatamente faz Yasmin Fernandes Crozeta?
A dúvida não é pessoal, é pública. Até agora, não há clareza objetiva sobre quais são as atribuições permanentes do cargo nem quais entregas concretas justificam um salário que, em poucos meses, já soma dezenas de milhares de reais pagos com dinheiro do contribuinte.
Nos bastidores, o comentário recorrente é que a atuação mais visível da assessora seria a militância política — especialmente no enfrentamento verbal à gestão do prefeito Jackson Alvino. Críticas constantes, ataques públicos e defesa ferrenha da oposição.
A pergunta é direta:
Existe cargo público para militância política?
Falar mal do prefeito faz parte das atribuições formais de um gabinete parlamentar?
Assessoria técnica ou militância bem remunerada?
Oficialmente, Yasmin é assessora. Na prática, segundo relatos políticos da própria cidade, sua atuação estaria muito mais ligada ao embate político do que a atividades técnicas mensuráveis.
É nesse ponto que surgem comentários incômodos — inclusive a palavra que ninguém gosta de ouvir, mas que o povo repete sem cerimônia: “laranja”. Não como acusação formal, mas como suspeita popular, alimentada pela falta de transparência sobre produtividade e função.
Some-se a isso uma dedicação quase exclusiva à oposição e o amor profundo pela causa o questionamento cresce:
estamos falando de assessoria parlamentar ou de militância paga com dinheiro público?
Perguntas que seguem sem resposta
Diante desse cenário, cresce a cobrança por esclarecimentos. Não por condenação antecipada, mas por transparência, algo básico na administração pública.
As perguntas são simples:
Qual é a função oficial exercida por Yasmin?
Há relatórios, registros ou entregas que comprovem produtividade?
O salário é compatível com as atividades desempenhadas?
Existe desvio de finalidade no uso da verba pública?
Enquanto essas respostas não aparecem, Santa Rita segue com dois mundos distintos:
o de quem acorda às 4h para sobreviver
e o de quem atua em gabinete confortável, com salário elevado — e função que ainda precisa ser explicada.
Na política, às vezes o problema não é o que se faz.
É o que não se explica.










