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O troco de Jhony: enquanto João soma apoios, perde aliados e cria rachaduras no próprio governo

O governador João Azevêdo (PSB), agora em modo pré-campanha ao Senado, até tentou vender o fim de semana como vitrine de fortalecimento político. Vieram adesões, fotos sorridentes e discursos ensaiados. Mas, nos bastidores, o que ecoa mesmo é o barulho das portas batendo — e a mais pesada delas atende pelo nome de Jhony Bezerra.

Enquanto o Palácio comemora a chegada de antigos adversários, como o ex-deputado Domiciano Cabral, que até ontem estava no palanque de Pedro Cunha Lima, e de aliados circunstanciais como Edvaldo Neto, prefeito interino de Cabedelo, e o vereador Milanez Neto, líder da Oposição na Câmara de João Pessoa, o governo parece tropeçar no próprio tapete ao empurrar para fora um dos seus quadros mais visíveis.

Quando o reforço entra pela frente e o aliado sai pelos fundos

Jhony Bezerra não é um personagem qualquer. Médico, ex-secretário, presidente estadual do Avante e candidato a prefeito de Campina Grande pelo próprio PSB, ele foi, por muito tempo, tratado como vitrine técnica e política do governo. Até deixar de ser útil.

Na prática, Jhony não saiu — foi convidado a se retirar. O recado veio em forma de exoneração em massa: mais de 20 cargos ligados ao médico foram sumariamente cortados da estrutura do Governo do Estado. Um gesto elegante? Nem um pouco. Um gesto político? Claramente.

PB Saúde: a quebra de acordo que selou o rompimento

O estopim definitivo foi a PB Saúde. Ao deixar a presidência do órgão para disputar uma vaga na Câmara Federal, Jhony teria recebido a garantia de que alguém do seu grupo político assumiria o comando. Mas, como costuma acontecer quando acordos viram papel molhado, o governo nomeou outra pessoa, sem qualquer vínculo com o médico.

Resultado: desgaste, ruptura e mágoa política — combustível suficiente para incendiar qualquer relação.

O troco vem aí

Jhony Bezerra já avisou a aliados que não faz mais parte do grupo do governador João Azevêdo. E o movimento seguinte promete ser ainda mais indigesto para o Palácio da Redenção: o médico deve anunciar apoio à pré-candidatura de Cícero Lucena ao Governo do Estado.

Ou seja, enquanto João Azevêdo coleciona apoios de ocasião, perde quadros que ajudaram a construir sua base. A matemática política pode até parecer positiva no papel, mas na prática o saldo revela um governo que amplia alianças… ao custo de implodir a própria tropa.

No fim das contas, fica a lição: em política, quem trata aliado como descartável não deve se surpreender quando o “ex” resolve cobrar — e cobrar caro.