Home / Policial / EXCLUSIVO : Crise salarial ameaça funcionamento de delegacias e expõe desvalorização da Polícia Civil na Paraíba

EXCLUSIVO : Crise salarial ameaça funcionamento de delegacias e expõe desvalorização da Polícia Civil na Paraíba

A política salarial do governo da Paraíba voltou ao centro das críticas após a revelação de um cenário considerado alarmante dentro da segurança pública estadual. Agentes de investigação e escrivães da Polícia Civil da Paraíba afirmam estar entre os profissionais mais desvalorizados da área, com remuneração inferior à de guardas municipais da Bayeux.

De acordo com relatos da categoria, um guarda municipal de Bayeux atualmente recebe salário superior ao de agentes de investigação e escrivães da Polícia Civil do Estado. A comparação tem gerado indignação dentro da corporação, principalmente pelo nível de responsabilidade e complexidade das funções exercidas pelos policiais civis, que atuam diretamente na investigação de crimes e na condução de inquéritos policiais.

Sem qualquer desmerecimento ao trabalho da Guarda Civil Municipal, policiais civis afirmam que a discrepância salarial evidencia um grave problema de valorização profissional. “Pelo nível de responsabilidade, risco e atribuições, o mínimo seria uma remuneração compatível com a importância do cargo”, relatam integrantes da categoria.

Delegados devolvendo dinheiro ao Estado

Outro dado que chama atenção dentro da estrutura da segurança pública paraibana envolve delegados da Polícia Civil da Paraíba. Alguns profissionais chegaram a devolver parte da remuneração recebida por terem ultrapassado o teto constitucional de salários no serviço público.

Enquanto isso, na base da corporação — composta por agentes de investigação e escrivães — o cenário é de insatisfação crescente e sensação de abandono.

Uma mudança no regime de trabalho de agentes e escrivães da Polícia Civil da Paraíba começa a provocar impactos diretos no funcionamento de delegacias em várias cidades do estado. A categoria decidiu que não realizará mais horas extras, o que deve reduzir significativamente a capacidade operacional das unidades policiais.

A decisão ocorre em meio às reivindicações da categoria por valorização profissional, reconhecimento do nível superior e equiparação da média salarial com os policiais civis de outros estados do Nordeste.

Delegacias sem policiais no Litoral Norte

Com o fim das horas extras e diante do baixo efetivo da Polícia Civil, algumas unidades precisarão reorganizar seu funcionamento. As delegacias seccionais, incluindo a localizada em Mamanguape, passarão a adotar regime de trabalho de 24 horas por 72 horas de descanso (24/72).

Na prática, isso significa que diversas cidades do Litoral Norte poderão ficar sem servidores da Polícia Civil em determinados períodos.

Entre os municípios afetados estão:

  • Jacaraú
  • Capim
  • Mataraca
  • Itapororoca

Nessas localidades, quem precisar registrar um boletim de ocorrência, denúncia ou qualquer procedimento policial terá que se deslocar até a delegacia seccional de Mamanguape.

Reivindicação por valorização salarial

Outro ponto central do movimento da categoria é a revisão da estrutura salarial da Polícia Civil da Paraíba. Segundo representantes da categoria, o objetivo é garantir o reconhecimento formal do nível superior da carreira e aproximar a remuneração da média salarial paga aos policiais civis do Nordeste.

Policiais também apontam como exemplo comparações que têm causado insatisfação dentro da corporação, como casos em que guardas municipais recebem remuneração superior à de agentes de investigação e escrivães, mesmo sem exercer as mesmas atribuições investigativas da polícia judiciária.

Fim do acúmulo de funções

Além da recusa em realizar horas extras, os policiais civis também afirmam que não irão mais exercer funções que não sejam de sua atribuição legal.

Na prática, isso significa que atividades típicas de delegado não serão mais assumidas por agentes ou escrivães, algo que, segundo relatos internos, vinha ocorrendo com frequência em diversas delegacias do estado. Em muitos casos, escrivães acabavam executando tarefas que deveriam ser desempenhadas exclusivamente por delegados.

Pressão sobre o governo

O cenário aumenta a pressão sobre o Governo do Estado da Paraíba para abrir diálogo com a categoria e discutir uma reestruturação da carreira da Polícia Civil.

Sem ampliação do efetivo ou readequação da política salarial, policiais alertam que a tendência é de sobrecarga nas unidades policiais e maior dificuldade no atendimento à população, principalmente em cidades menores que dependem das delegacias regionais para registrar ocorrências e iniciar investigações.