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Empréstimo milionário envolvendo Bianca Medeiros, que possui vínculo familiar com o presidente da Câmara dos deputados , levanta suspeitas e pode atingir Hugo Motta

Um pedido protocolado pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) acendeu um alerta em Brasília e colocou sob tensão o entorno do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB). A representação solicita a abertura de investigação sobre um financiamento de cerca de R$ 22 milhões concedido pelo Banco Master à empresária Bianca Medeiros, que possui vínculo familiar com o parlamentar.

O caso, revelado pela Folha de S. Paulo, levanta questionamentos sensíveis: houve participação indireta de recursos públicos na operação? O crédito contou com garantias governamentais ou subsídios oficiais? E mais — os mecanismos de fiscalização do Banco Central do Brasil foram eficazes ao acompanhar a concessão desse empréstimo?

O contrato, firmado em março de 2024, teve como finalidade a aquisição de uma extensa propriedade de mais de 400 hectares em João Pessoa. No terreno, está previsto um ambicioso projeto imobiliário que inclui até mesmo a instalação de uma unidade de produção de cimento — empreendimento de grande impacto econômico e ambiental.

Embora o MPTCU destaque que, até o momento, não há provas de irregularidades ou uso indevido de dinheiro público, o órgão considera que o parentesco entre a beneficiária e Hugo Motta pode indicar uma possível “concessão favorecida”, hipótese que agora passa a ser analisada com mais rigor.

Pressão política e aliados temerosos

Nos bastidores da política paraibana, o caso já começa a provocar movimentações. Lideranças que vinham declarando apoio ao prefeito de Patos, Nabor Wanderley, em uma possível articulação rumo ao Senado Federal, passaram a adotar um tom mais cauteloso.

Segundo relatos de interlocutores, esses aliados temem que o avanço das investigações possa atingir o grupo político e gerar desgaste eleitoral, especialmente diante da repercussão do caso. A preocupação é que eventuais desdobramentos comprometam a viabilidade de projetos políticos futuros.

Ainda que prevaleça o silêncio, a avaliação interna é de prudência. Parte da base política evita reforçar declarações de apoio neste momento, aguardando o desenrolar das apurações e possíveis novos elementos.

Nos bastidores, o episódio já é tratado como potencialmente explosivo.