Enquanto o discurso oficial insiste em moralidade, austeridade e zelo pelo dinheiro público, os números — frios, objetivos e públicos — contam outra história na Câmara Municipal de Santa Rita.
De acordo com registros do SAGRES, sistema oficial do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), a Câmara desembolsou quase R$ 13 mil para a simples recarga de apenas cinco extintores de incêndio. Um valor que, no mínimo, causa espanto. No máximo, acende todos os alertas.
O que chama ainda mais atenção é a forma do pagamento: seis empenhos distintos para um serviço único, rotineiro e de baixa complexidade. Quando um procedimento simples é fatiado dessa maneira, a pergunta surge naturalmente: por quê?
Especialistas em controle público costumam afirmar que o fracionamento de despesas pode ser um indicativo de tentativa de driblar regras administrativas e limites legais. No caso de Santa Rita, os dados estão à vista de qualquer cidadão. A conta não fecha.
O presidente da Câmara, Epitácio Viturino, que gosta de vestir o figurino da moralidade administrativa, agora precisa explicar como cinco extintores conseguiram se transformar em uma despesa digna de obra de grande porte. O discurso bonito perde força quando confrontado com a realidade dos números.
Para muitos, o episódio reforça a percepção de que o atual comando do Legislativo municipal se comporta como uma cópia piorada do seu genitor político, sem a habilidade de disfarçar práticas que hoje ficam expostas nos portais de transparência.
Diante de um suposto superfaturamento, é dever do TCE-PB analisar com rigor os atos administrativos da presidência da Câmara. Onde há dúvida, deve haver fiscalização. Onde há dinheiro público, deve haver responsabilidade.

O povo de Santa Rita está atento.
E, ao que tudo indica, nesse caso, o incêndio não está no extintor — está na nota fiscal.









