Quantos milhões foram roubados do Instituto Padre Zé?
A pergunta ecoa como um grito abafado nos corredores da Justiça.
Segundo investigações do Gaeco e da Polícia Federal, cerca de R$ 130 milhões teriam sido surrupiados do instituto por uma organização criminosa. Organização — palavra que, por si só, já desmonta a narrativa conveniente de que tudo teria sido obra de um único homem.
As próprias apurações deixam claro: ninguém rouba sozinho uma montanha desse tamanho. Não é milagre, não é mágica, não é multiplicação dos pães. É esquema.
Mas aí começa o mistério digno de romance policial mal escrito:
se o dinheiro não desapareceu sozinho e se as investigações apontam a participação de vários envolvidos… onde estão os outros?
Alguns, ao que tudo indica, seguem bem vestidos, bem assessorados, blindados por relações influentes — e pasmem — articulando projetos políticos, sonhando com mandatos e palanques. O crime pode até ser organizado, mas a impunidade parece ainda mais.
E a Justiça?
Investiga, silencia, arquiva, demora?
Vai mesmo permitir que apenas um pague a conta enquanto os demais brindam à liberdade?
O escândalo não é apenas o rombo milionário que sangrou uma instituição filantrópica.
O verdadeiro escárnio é a sensação de que, no Brasil, roubar milhões pode até ser um problema — desde que você não esteja sozinho e tenha os contatos certos.
R$ 130 milhões não evaporam.
E a indignação pública também não.
A pergunta permanece, incômoda e sem resposta:
quantos culpados ainda estão soltos — e quantos deles pretendem se eleger?
Porque, do jeito que está, não parece justiça.
Parece vergonha institucionalizada.










