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Gilmar Mendes critica condução do TSE e faz cobrança indireta a Nunes Marques após eleições

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a demonstrar divergências com o colega Kassio Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em manifestação publicada nas redes sociais, o magistrado fez críticas indiretas à condução da Justiça Eleitoral durante as eleições de 2026, especialmente em relação aos episódios registrados no segundo turno.

Sem mencionar diretamente o nome de Nunes Marques, Gilmar destacou que a responsabilidade de quem está à frente de uma instituição como o TSE exige equilíbrio, imparcialidade e decisões tomadas no momento adequado.

Em sua publicação, o ministro afirmou que as instituições públicas devem estar acima dos interesses individuais de seus integrantes e ressaltou que o colegiado do TSE teve papel importante para assegurar que a disputa eleitoral transcorresse dentro das regras democráticas.

Entretanto, o trecho que chamou mais atenção foi a referência à postura de quem ocupa a presidência do tribunal.

“Silêncios e hesitações não são neutros”, escreveu Gilmar Mendes, ao argumentar que a ausência de posicionamentos em momentos decisivos pode abrir espaço para decisões contraditórias e exigir a intervenção de outras instâncias do Judiciário.

Divergência envolve episódio no segundo turno

A manifestação de Gilmar está relacionada à polêmica envolvendo o transporte público no dia da votação do segundo turno das eleições.

Na ocasião, a campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva apresentou denúncias de dificuldades na oferta de ônibus em cidades como Salvador e São Paulo. A situação motivou pedidos à Justiça Eleitoral para garantir condições de deslocamento aos eleitores.

Diante da demora de uma decisão por parte da presidência do TSE, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, concedeu uma liminar determinando a extensão do horário de votação por duas horas em todo o país.

O episódio provocou questionamentos sobre a atuação das autoridades eleitorais e acabou se transformando em mais um ponto de tensão entre integrantes das cortes superiores.

Desentendimentos entre ministros vêm desde setembro

As divergências entre Gilmar Mendes e Nunes Marques não são recentes. Os dois magistrados já haviam protagonizado episódios de tensão nos bastidores do Judiciário, com troca de mensagens duras pelo WhatsApp, em meio à crise envolvendo investigações relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes e ao Banco Master.

O novo posicionamento de Gilmar acrescenta mais um capítulo às divergências internas do Supremo e evidencia as diferentes avaliações sobre a condução de temas institucionais e eleitorais.

Colegialidade foi destacada pelo decano

Apesar das críticas indiretas, Gilmar Mendes reconheceu que a atuação coletiva dos integrantes do TSE foi fundamental para a manutenção das regras do processo eleitoral.

Na avaliação expressa pelo ministro, o funcionamento colegiado da instituição contribuiu para enfrentar os impasses registrados durante a votação.

O magistrado, porém, ressaltou que a estabilidade das instituições não deve depender exclusivamente da atuação conjunta dos integrantes do tribunal, mas também da responsabilidade individual de quem ocupa cargos de comando.

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