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UMA SEMANA DEPOIS DA PF: ex-gerente da PixBet deixa Secretaria de Finanças de Serra Branca e aumenta pressão sobre gestão municipal

Pedro Aleixo ocupava uma das áreas mais estratégicas da Prefeitura e havia trabalhado como gerente do escritório da PixBet no município. Exoneração ocorreu após a empresa entrar no radar da Operação Arena, da Polícia Federal.

A exoneração de Pedro Aleixo da Secretaria de Administração e Finanças de Serra Branca, ocorrida no dia 20 de agosto, uma semana após a deflagração da Operação Arena pela Polícia Federal, adicionou um novo e relevante capítulo à relação entre a gestão municipal e o grupo empresarial ligado à PixBet.

Aleixo havia atuado como gerente do escritório da empresa em Serra Branca antes de assumir uma das secretarias mais estratégicas da administração municipal. A saída do auxiliar ocorre em um momento de forte repercussão da investigação federal sobre um grupo empresarial suspeito de envolvimento em operações de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e crimes contra o sistema financeiro.

Do escritório da PixBet para o comando das finanças públicas

A presença de um ex-gerente da PixBet no comando da estrutura administrativa e financeira do município já vinha chamando atenção pelo peso político e econômico da empresa na cidade.

O episódio ganha ainda mais relevância porque, anteriormente, a Prefeitura encaminhou à Câmara Municipal um projeto que reduziu a alíquota do ISS de 5% para 2% e previu benefícios relacionados a IPTU e ITBI para empresas enquadradas nos critérios estabelecidos pela legislação. A proposta foi aprovada pelo Legislativo e, posteriormente, a PixBet transferiu sua sede de Campina Grande para Serra Branca, passando a se beneficiar das regras tributárias locais.

A sequência dos fatos — benefícios fiscais, transferência da empresa para o município, presença de um ex-gerente da PixBet em uma secretaria responsável pela administração e pelas finanças e, agora, sua exoneração logo após a operação da Polícia Federal — amplia a necessidade de esclarecimentos públicos sobre a natureza e os limites das relações entre o grupo empresarial e a administração municipal.

Operação Arena colocou grupo empresarial sob investigação

A Operação Arena foi deflagrada pela Polícia Federal em 13 de agosto e investiga um grupo empresarial suspeito de utilizar estruturas financeiras para ocultar recursos relacionados à exploração de apostas. Segundo informações divulgadas oficialmente e repercutidas pela Agência Brasil, a investigação resultou em medidas como quebras de sigilos e no sequestro de R$ 1,1 bilhão, além do cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão em diferentes estados. Os investigados poderão responder, em tese, por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional.

É importante destacar que a exoneração de Pedro Aleixo, por si só, não significa que ele tenha sido denunciado ou condenado por qualquer crime, nem permite atribuir automaticamente a ele participação nos fatos investigados pela Polícia Federal. A medida administrativa, no entanto, ocorreu em um contexto temporal diretamente posterior à deflagração da operação e envolvendo uma empresa da qual o então secretário havia sido gerente.

Exoneração abre novas perguntas

A principal questão agora é saber quais foram os motivos formais apresentados pela Prefeitura de Serra Branca para a exoneração e se a administração municipal pretende esclarecer publicamente a escolha de um ex-gerente da empresa para ocupar uma pasta com acesso direto à máquina administrativa e financeira do município.

Também permanece no centro do debate a relação institucional entre a gestão e o grupo empresarial que transferiu sua sede para Serra Branca após a aprovação dos incentivos tributários.

Em administrações públicas, especialmente quando empresas privadas passam a ocupar papel econômico relevante no município e seus ex-integrantes assumem cargos estratégicos, a transparência não é apenas recomendável: é uma exigência para afastar dúvidas, prevenir conflitos de interesse e permitir o controle social.

A exoneração de Pedro Aleixo não encerra as perguntas. Pelo contrário.

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